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"Operação Condor" judicial avança: Lava Jato prende Ollanta Humala, no Peru

Segundo o juiz, as provas apresentadas pela promotoria permitem presumir que o casal recebeu dinheiro da embaixada da Venezuela e da construtora brasileira Odebrecht e, com alto grau de probabilidade, colocou a quantia nas campanhas eleitorais de 2006 e 2011, respectivamente. Em anexo à ordem de detenção foi igualmente emitido um mandado internacional de captura imediata, que acabou por não ser acionado. "Esta é a confirmação do abuso de poder ao qual iremos fazer frente, em defesa dos nossos direitos e dos direitos de todos", publicou, por sua vez, o antigo Presidente.

Humala também passou a ser o segundo ex-presidente do país detido, após Alberto Fujimori, que governou de 1990 a 2000, ser condenado a 25 anos de prisão por vários casos de corrupção e violações aos direitos humanos cometidos em seu mandato. Ele nega as acusações. "Nunca tiveram a intenção de fugir", garantiu. O juiz Richard Carhuancho, uma espécie de Sergio Moro peruano, e que já tinha ordenado a prisão de Alejandro Toledo, decretou uma preventiva de 18 meses (!) para Humala e esposa.

O procurador argumentou que "existem novos elementos que provariam que Humala e sua esposa, Nadine Heredia, estão envolvidos no suposto delito de lavagem de dinheiro e, portanto, existe perigo de fuga".

Além de Humala e Toledo, o ex-presidente Alan Garcia (2006-2011) também está envolvido no escândalo Odebrecht. "Estamos atentos para que isso ocorra para analisá-lo e discuti-lo como corresponde na audiência", afirmou.

Humala negou ter recebido doações da Odebrecht e disse ser vítima de perseguição política após saber do pedido de prisão preventiva contra ele e sua mulher.

Presidente do país andino entre 2001 e 2006 - escapuliu-se para os Estados Unidos em fevereiro deste ano, para evitar ser detido pela justiça, que o acusa de ter recebido 20 milhões de dólares (cerca de 17,4 milhões de euros) de suborno da Odebrecht, em troca de dois contratos de concessão de autoestradas de ligação entre o Peru e o Brasil. Para o órgão dos EUA, é o "maior caso de suborno internacional na história".

O delator brasileiro afirma que a empreiteira pagou US$ 3 milhões para a campanha de Ollanta Humalla via "departamento de propina" da construtora.